"Frisch & Co." por EJ Van Lanen

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Hoje gostaríamos de destacar o blog atualizado pela Frisch & Co., uma casa editorial alemã que se especializa em literatura contemporânea traduzida para o inglês e disponibilizada no formato de livros eletrônicos. A editora foi fundada por EJ Van Lanen, que editou vários escritores internacionais de renome para Ecco, Dalkey Archive Press e Open Letter Books, que ele ajudou a fundar em 2007.

Há uns dois meses, ele publicou um artigo bastante abrangente sobre traduções literárias: Why I Publish Ebooks, or the Future of Literary Translation ("Porque publico ebooks, ou o futuro da tradução literária"). Essa é uma perspectiva pessoal sobre as principais motivações por trás da disponibilização de livros traduzidos e mostra um contraste de como a indústria era antes das grandes mudanças no paradigma da publicação com o surgimento dos livros digitais e as plataformas de autopublicação.

O texto também traz detalhes sobre os custos da tradução de acordo com os arranjos tradicionais (incluindo livros impressos) e o novo ambiente digital. De acordo com EJ, as grandes editoras se mostram relutantes quando o assunto é investir no segmento da tradução editorial, em vez de ir atrás do novo sucesso de um escritor que já escreve no idioma do mercado-alvo.

"As grandes editoras decidiram que publicar tradução é uma perda de tempo, esforços e dinheiro, deixando uma lacuna que é preenchida principalmente por editoras menores, que por sua vez têm recursos financeiros limitados. No final das contas, publicar livros é mesmo um negócio caro."  [tradução nossa]

Apesar desse olhar pessimista, ele propõe uma perspectiva diferente para o futuro da tradução literária, aproveitando o que os livros eletrônicos têm a oferecer em termos de economias com impressão e distribuição de cópias em papel. 

Como publicamos livros eletrônicos, não temos despesas com impressão e os custos com distribuição são cobrados de maneira unitária e pós-produção. Não temos que enviar os livros para as livrarias ou para os críticos literários, então esse custo também é zero. Isso deixa um 'lucro' de US$ 3 por cópia vendida para o tradutor e a editora dividirem."   [tradução nossa]

Este acordo é na verdade benéfico para os tradutores, porque eles são incluídos na cadeia de valor e passam a ter um senso de propriedade sobre o trabalho que ajudaram a trazer à luz, em vez de serem vistos como meros provedores de serviço que realizaram uma tarefa sem ter nenhum investimento maior nisso. 

Agradecemos a Mirna Soares Andrade por nos lembrar deste ótimo texto!