O papel do tradutor na nova era da publicação digital

Caroline Alberoni

Entre os dias 5 a 7 de junho, participei do VI Congresso Internacional de Tradutores e Intérpretes da ABRATES (Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes) que, este ano, foi realizado em São Paulo, no Centro de Convenções Rebouças. Logo no primeiro dia de palestras, no sábado, dia 6, a segunda apresentação que tive o prazer de assistir foi a da Rafa Lombardino, sobre O papel do tradutor na nova era da publicação digital. Ela falou sobre como traduzir e publicar obras de domínio público e de autores autopublicados.

Segundo Rafa, se você tiver interesse em se inserir na era da publicação digital para autopublicar suas próprias traduções, deve, primeiro, procurar tópicos com os quais você se identifique. Com base nisso, tente encontrar escritores autopublicados que tenham interesse em disponibilizar seus livros para tradução. Uma alternativa é buscar livros que estejam em domínio público. No Brasil, uma obra se torna de domínio público 70 anos após a morte do autor.

Caso você opte pela primeira opção, a palestrante oferece dicas de negociação com o autor: tarifa cheia, tarifa cheia mais divisão de direitos autorais (de 20% a 25% de comissão sobre as vendas), divisão de royalties (de 40% a 45% dos direitos autorais) ou liberação total de direitos autorais. Qualquer que seja a negociação, é fundamental sempre assinar um contrato, de preferência com a assessoria de um advogado para a elaboração desse documento.

Depois da negociação ou também durante o processo, caso o autor do livro tenha alguma preferência, é necessário decidir de que forma a tradução será publicada. Rafa fala sobre as possibilidades de autopublicação de tradução: livro impresso sob encomenda, livro eletrônico/digital ou livro de áudio. Na primeira opção, o livro é impresso somente quando uma cópia é encomendada. Exemplos de alguns provedores de impressão de livros sob encomenda: CreateSpace (Amazon), Lulu.com e BookBaby. Para evitar problemas antes de o livro chegar ao leitor, ela sugere que uma cópia de revisão seja encomendada. A capa é um item que requer muito cuidado. Atenção especial deve ser dada às cores e imagens, que não podem ser protegidas. A vantagem da segunda opção, livro eletrônico/digital, é o preço mais acessível devido aos custos inferiores. Os principais provedores de serviços de publicação de livros eletrônicos são Kindle (Amazon), iBook (Apple), Google Books e Smashwords. Já o livro em áudio é mais caro devido ao tempo mais longo de produção. Além disso, é necessário encontrar contadores de história com boa voz. Alguns provedores desse último serviço são Audible (Amazon), iTunes (Apple), LibriVox (domínio público). O livro de áudio pode ser usado como produto acompanhante: com desconto, caso o leitor compre o livro em outro formato; ou, caso o leitor compre o livro de áudio, o livro impresso/digital pode ser oferecido gratuitamente.

Fotos cedidas por Elenice Barbosa de Araujo

Durante a tradução, Rafa sugere a criação de um blog ou microsite para documentar o projeto, que servirá também de portfólio. Já depois da publicação, pense em eventos de promoção para a divulgação do livro traduzido, como uma noite de autógrafos. Publique nas mídias sociais levando em consideração a diferença entre elas. O Facebook, por exemplo, pode ser usado para divulgar atualizações do seu blog e novidades relacionadas ao projeto. O Twitter, por ter uma limitação de caracteres (140), pode deixar um gostinho de quero mais. O Pinterest serve para adicionar imagens e fotos relacionadas ao livro. Já o Instagram pode conter material audiovisual, como fotos e vídeos curtos. Você também pode escrever sobre o livro como convidado em blogs de outras pessoas ou utilizar ainda o Wattpad ou o Medium para fornecer amostras. Outra forma de promoção é criar um canal no YouTube exclusivamente para o seu projeto, no qual você pode divulgar um trailer, ler um trecho e gravar entrevistas.

No entanto, cuidado! “Caiu na rede, é peixe!” diz Rafa. Esteja atento ao seu conteúdo após a disponibilização online, pois há o risco de ele pode ser pirateado ou plagiado.

Se você já tiver um público fiel, a palestrante sugere opções de crowdfunding, que consiste na obtenção de fundos de vários financiadores voluntários para determinado fim, no nosso caso, a publicação de um livro. No Brasil, temos o BookStart, mas também há o Kickstarter, Indiegogo, Crowdfunder, RocketHub e Crowdrise. Você também pode oferecer presentes ou recompensas aos financiadores do seu projeto.

Enfim, depois de finalmente conseguir autopublicar sua própria tradução, use sua criatividade e imaginação para pensar em formas de promoção do material!


CAROLINE ALBERONI é tradutora profissional integralmente qualificada e trabalha com material de inglês e italiano para português brasileiro. Especializada em traduções de TI, marketing, empresarial e jurídica, concluiu bacharelado e mestrado em Tradução e comanda a Alberoni Translations, empresa que dirige com dedicação, compromisso, profissionalismo e grande preocupação com as necessidades linguísticas dos clientes. Caroline também é associada a ProZ, Sintra, Abrates e IAPTI e foi destacada no 19° lugar na lista As 25 melhores contas do Twitter sobre idiomas de 2015.