Não cometa estes 3 erros ao dar um nome aos seus personagens

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Desde o início estava claro que os meus pais não achavam que eu ia ser lá grande coisa. Como poderia, com um nome como "Ninie"? Tenha santa paciência!

Fama e fortuna não vêm para quem se chama Ninie Bovell (meu nome de solteira). Gabriella Bovary? Dá pra levar. Até algo mais trivial como Madeline, Rebecca ou (mesmo perdendo pontos por originalidade) Elizabeth Bovell. Mas Ninie? Sem chances.

Se eu pareço um pouco hostil, lembre-se de que os meus pais, com uma única decisão, sentenciaram a sua preciosa filhinha recém-nascida a uma vida de explicações desde o meu primeiro dia na Escola Fundamental Muleshoe (é, "Muleshoe"... Os palavrões continuam chegando!) Depois de uma semana dolorosa, desenvolvi um plano que uso até hoje.

Não é 'ni-ni-e" pra rimar com "pen-ny". É "nai-nie" e rima com "shi-ny", que significa 'brilhante". É parecido com o número 9 em inglês, entendeu? E, não, não tem significado importante, não é diminutivo de nada, nem superlativo ou substituto de coisa alguma. É só isso mesmo. (Pausa para o inevitável "Por quê?") Tá bom, meu chapa, é que eu não posso contar para você.

Então, a minha pergunta para os colegas escritores é a seguinte: você já fez algo parecido com os personagens do seu livro? Pensou seriamente no nome das pessoas que viverão a sua história? Ou se inspirou em um comercial de tevê e batizou o elegante herói que salva a linda condessa no seu romance sobre a Revolução Francesa de "Aflak Geico"?

"Se a rosa tivesse outro nome, ainda assim teria o mesmo perfume" NÃO serve de justificativa para o nome de personagens fictício. Aqui estão os quatro erros que você não pode cometer ao dar um nome para os seus personagens.

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1. Os nomes precisam "casar" com a época, a cultura e o ambiente do seu livro. Mas, lembre-se de voltar uma geração atrás. Se o seu romance se passa em Atlanta durante a Guerra Civil, os personagens nasceram na década de 1840. Provavelmente não havia muitas mães em Geórgia que batizando as meninas de Lindsay ou Shamika ou os meninos de Shane ou Tyrone. Verifique a origem dos nomes que você escolheu. É claro que dá para apostar em um nome irlandês como Patrick O'Malley, mas e se você escolher Nguyen para um oriental? Esse nome é vietnamita, cambojano, chinês ou laosiano?

2. Fale o nome em voz alta. É fácil de pronunciar? O leitor, mesmo que leal, vai pular o nome se não conseguir ouvi-lo em sua mente. (Como exemplo, eu citaria "Guerra e Paz".) Verifique também a combinação dos nomes dos personagens para você não acabar com uma dupla dinâmica do tipo "Batman e Robin". E o nome virou um trava língua? Seth Sainsbury, Elizabeth Thornton, Keith Police? Não repita as primeiras letras ―Jeff, Jake, Jenny, Jessica― ou terminação ―Billy, Johnny, Becky, Shirley. Dê uma variada na quantidade de sílabas entre os nomes e sobrenomes. Mude os co-conspiradores de Caleb Wilson, Richard Jacobs e Lisa Martin para Caleb Wilkerson, Rick Jacobs e Lisa Martinelli.

3. Na verdade, não importa o nome que você escolher, não é possível evitar todas as reações adversas. Apesar de o nome Isaiah Dunstable soar bastante digno de um juiz federal em um livro de suspense político, esse também pode ter sido o nome do coleguinha de classe do seu leitor fiel, que vomitava o cachorro quente toda sexta-feira. Porém, a menos que você tente dar um certo tipo de efeito (humor ou sátira), fique longe de nomes icônicos. Sim, você pode batizar a sua heroína de Scarlett O’Hara, mas lembre-se de que o leitor fiel vai ficar pensando em outra pessoa toda vez que o nome da personagem for mencionado. Mesmo a prosa mais elegante da sua parte não vai ser forte o bastante para mudar isso. Você também pode dar o nome de Ricky Ricardo ao seu herói, mas é o personagem do seriado "I Love Lucy" que vai acabar pronunciando a cada frase do diálogo. E se você decidir chamar o vilão do seu livro de velho oeste de John Wayne, boa sorte!

No final das contas, a regra para dar nomes aos personagens é simples: seja intencional. Não escolha o primeiro nome que venha à mente. O personagem vai carregar esse nome durante a história inteira e vai ficar nas mentes e nos corações dos seus leitores. Se você descobrir que o nome não funciona ou não combina com o nome dos outros personagens, troque-o por outro mais apropriado. 

Então, onde você pode encontrar nomes para os seus personagens? Comece pela lista telefônica! Depois, passe para os livros com nomes de bebês. Verifique na internet os nomes mais populares 20 anos antes do período em que a história se passa. Olhe até na Bíblia!

E, se não tiver mais remédio, junte algumas sílabas, deixe-as rolar pela língua e ouça o ritmo que elas criam. Afinal, você pode simplesmente inventar um nome novo. Deu certo para os meus pais, não deu?

Continue escrevendo!


NOTA DO EDITOR: O texto em inglês foi publicado originalmente no blog da autora e inclui uma quarta regra que se aplica à gramática inglesa.


NINIE HAMMON conta histórias desde criança. Começou aos 8 anos com o seu primeiro livro: a saga de suspense, de roer as unhas, de arrancar os cabelos sobre abelhas que decidiram fazer chocolate, em vez de mel. Ela fez cinco cópias de "Chocolate de abelha" e armou uma barraquinha de caixa de papelão no jardim em frente à casa para poder vendê-las. Um livro e um copo de Tang (ela não sabia fazer limonadas) por 25 centavos. A avó dela comprou as cinco cópias e disse: "Estes livros vão valer muito um dia, quando você for uma escritora famosa". Ela dedicou grande parte da sua vida (um quarto de século) escrevendo histórias reais em sua carreira como jornalista. Apesar de ganhar alguns prêmios, em 2008 ela decidiu encarar uma profissão que caiu como uma luva: ela começou a escrever livros de ficção e se tornou romancista.