Sobre as minhas escritas

Dizem que antes de um “sim”, muitos são os “nãos” a serem enfrentados. Esta é uma verdade da vida, e eu acrescentaria que a quantidade de “nãos” é diretamente proporcional ao tamanho do objetivo a ser alcançado.

Com meus trabalhos literários a coisa não tem sido diferente. Uma chuva torrencial de “nãos” sempre se precipita diante a uma tentativa de publicação. O mundo literário é um mundo amplo e complicado de se inserir, e isso eu percebo cada vez mais.

Comecei a escrever por volta de 2004, quando fui pego por uma angústia que me pedia para me expressar de alguma forma. Tentei a música e a pintura, mas algo já me dizia que era a escrita, e à escrita eu fui. Eu até escrevia um texto ou outro na minha adolescência, mas sempre os rasgava.  Mas naquela época eu comecei a escrever meu primeiro romance, mas no meio do caminho eu desisti dele e recomecei outras três vezes até chegar a um resultado que me pareceu interessante. Neste caminho muita coisa aconteceu em minha vida particular e tive longos momentos de silêncio, sem teclar uma só letra. Em 2010, terminei meu primeiro livro: “Patos”.

Neste caminho, muitas ideias, pensamentos e visões que me pegavam de súbito e não havia como as inserir no romance e nem abandoná-las. Então, em 2008 criei meu blog “Desce Mais Uma!” (http://descemaisuma.blogspot.com) no qual passei a publicar minhas poesias, contos, crônicas e outros papos furados.

Escrever não é fácil, publicar é muito mais difícil. Meu objetivo é escrever, me expressar e produzir “coisas” que possam ser úteis para outras pessoas; mas abandonar o que produzo na gaveta está fora de cogitação e a busca pela publicação passar a ser uma consequência inevitável para mim. O blog me permite acompanhar e interagir com os leitores sobre estes tipos de coisas. Mas com o romance é diferente, eu precisava de um canal melhor, eu queria vê-lo impresso e tê-lo em minhas mãos.

Hoje dispomos de várias alternativas editoriais, mas o meu propósito é encontrar uma editora, nos moldes convencionais. É um longo caminho entre buscar por editoras, selecionar aquelas que se encaixe a linha editorial, estabelecer contato e enviar o original do tal o livro. Enviados os originais, só resta aguardar as respostas das editoras, quando vêm. Por mais que seja ruim, um “não” ainda é melhor do que um silêncio; mas não deixa de ser um “não”, e um “não” sempre dá uma bambeada nas pernas. 

Dentre estas alternativas editorias cada vez mais se destacam e se multiplicam as editoras que realizam todo o processo editorial sob custeio do próprio autor, o que costumo chamar de “gráfica estilizada”. Desta forma, qualquer obra pode ser publicada, com tanto que haja o financiamento por parte do autor, o qual, também, será o responsável pelo lançamento, divulgação, distribuição e venda.

A vantagem deste método é que todo valor arrecadado com as vendas é cem por cento do autor; a desvantagem é que ele tem que arcar com todo o custo operacional e com as vendas em si, o que seria muito mais abrangente e efetivo se feito por uma editora com uma estrutura para este fim.

Usei esta alternativa, tinha que testar e, em 2010, publiquei o “Desce Mais Uma! – Primeira Rodada”, que é uma coletânea dos meus primeiros textos. Mas a experiência, pós o lançamento feito num bar com amigos e familiares, não foi muito boa.

No meio destas dificuldades, eu passei a considerar a possibilidade de disponibilizar meus trabalhos gratuitamente em formato eletrônico. Eu teria que abrir mão de tê-los impressos, mas poderia ter uma abrangência maior e não os deixaria na gaveta (ou numa pasta do meu computador).

Foi quando encontrei uma editora para impressão sob demanda. Toda a arte ficou por minha conta e apenas as vendas e distribuição das impressões por conta deles. Pareceu-me viável, custo baixo e possibilidade de livro físico; mas não foi. Os valores finais para compra do livro eram muito altos e por isso amadureci a outra ideia.

Hoje, todos os meus livros estão disponíveis gratuitamente para download em diversos formatos de eBook. Podem ser encontrados no meu blog e em diversas ferramentas e livrarias que permitem livros eletrônicos gratuitos. Entre eles, podem ser encontrados meu segundo romance “Diário de um Zé Ninguém” que concluí em 2012, e a segunda e terceira "rodadas” do “Desce Mais Uma!”.

Estou trabalhando em outras obras e vontade de escrever só cresce. No fim deste mês, devemos ter mais uma novidade, dedos cruzados!

Mas enfim, o negócio é aguentar firme e continuar a luta. Desistir? Jamais! Afinal, “água mole em pedra dura”, não é? Então, vamos que vamos!


RAFAEL CASTELLAR nasceu em Santa Gertrudes, interior de São Paulo, e é formado em Engenharia de Computação. Como entusiasta da literatura, busca nela formas de expressão por meio de crônicas, poesias, contos, ensaios e romances.