"River of January" destaca vozes literárias do Rio de Janeiro

Durante o 54º congresso anual organizado de 6 a 9 de novembro pela Associação Americana de Tradutores (ATA) em San Antonio, assisti a uma palestra chamada Um feito de proporções olímpicas: Traduzir as vozes literárias do Rio para o inglês, apresentada por Jayme Costa Pinto, tradutor de inglês para português cujos projetos literários incluem os trabalhos de escritores americanos como John Updike e Seth Morgan.

Jayme apresentou "River of January", coleção bilíngue que reúne em um único volume o livro original em português e a respectiva tradução em inglês, destacando histórias sobre o Rio de Janeiro e a sua gente que foram escritas por autores locais de grande relevância. O projeto é patrocinado pela Light, companhia elétrica regional, e a Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro. Todos os livros da série são traduzidos por Mark Carlyon, que também incluiu notas de tradutor extensas sobre seu processo de tradução.

A coleção é dividida em dois períodos, 1808 a 1908 e 1908 a 2008, sendo que quatro dos seis títulos que compõem a primeira parte já foram publicados: Memoirs of a Militia Sergeant ("Memórias póstumas de um sargento de milícias") de Manuel Antônio de Almeida, The Old House ("Casa velha") de Machado de Assis, The Sad End of Policarpo Quaresma ("O triste fim de Policarpo Quaresma") de Lima Barreto e The Enchanting Soul of the Streets ("A alma encantadora das ruas") de João do Rio.

Jayme se concentrou em The Old House, cuja cópia ele trouxe para estimular a curiosidade dos presentes. Ele então destacou o cuidado de criação prestado ao projeto gráfico (uma verdadeira edição para colecionadores) e selecionou parágrafos para iniciar um debate animado, contrastando a escrita de Machado de Assis e a versão de Mark Carlyon.

O palestrante indicou que aqueles fragmentos do livro de Machado de Assis eram "partes particularmente desafiadoras para um tradutor" por estarem "tão próximas dos ouvidos (e dos corações) dos leitores brasileiros e tão inequivocamente ligadas à herança cultural do escritor, que tinha um olhar aguçado para observações sociológicas".

E, como acontece em toda palestra feita por Jayme em um congresso anual da ATA, a plateia teve a oportunidade de discutir a escolha do vocabulário, pensar em soluções diferentes para a tradução e refletir sobre o papel dos tradutores em projetos literários.


RAFA LOMBARDINO é tradutora e jornalista brasileira, radicada na Califórnia. Trabalha como tradutora desde 1997 e, em 2011, deu início a uma colaboração com escritores independentes para traduzir suas obras para português e inglês. Além de atuar como curadora de conteúdo no eWordNews, também dirige a Word Awareness, pequena rede de tradutores profissionais, e coordena dois projetos que promovem a literatura brasileira no mundo: Contemporary Brazilian Short Stories (CBSS) e Cuentos Brasileños de la Actualidad (CBA).