10 coisas que aprendi sendo romancista

Roger Colby

Faz um ano e meio desde que criei o meu blog e queria fazer uma retrospectiva do que eu aprendi sobre escrever romances e o ramo editorial em geral. Estes conhecimentos podem ser úteis para quem está começando e o objetivo deste artigo é ajudar quem começou a escrever um romance e quer publicá-lo. São coisas que eu gostaria de ter aprendido antes de dar início a este processo.

Aqui estão algumas dicas e eu espero que elas poupem o seu tempo para você, escritor, fazer o que faz de melhor: escrever.

1. Cuidado com os agentes – Ter agente é ótimo se você conseguir arranjar um, mas às vezes as supostas "agências" se contentam em lhe falar algumas palavras doces para você "publicar" com eles ou comprar seja lá o que eles estiverem vendendo. Não vou dar nome aos bois, mas se um "agente" começar a pedir pagamento para publicar "publicar" ou "anunciar" com eles, corra para as colinas. Os agentes (tradicionalmente) só ganham dinheiro quando você ganha dinheiro. Se alguém pedir pagamento adiantado, isso quer dizer que essa pessoa não é um agente de verdade. Além disso, as agências gostam de apresentar uma lista de casos de sucesso que tiveram no passado. Se estiver na dúvida, verifique o nome do agente ou da empresa neste banco de dados, que lhe dirá tudo o que você precisa saber sobre eles.

2. Faça aulas de redação – Eu me formei em Língua Inglesa na Universidade Batista de Oklahoma e, enquanto labutava na área, fiz vários seminários e oficinas de escrita criativa. Na verdade, ainda gosto de participar de uma ou outra oficina porque me mantém afiado com escritor. Se você acha que já sabe tudo é porque ainda tem muito o que aprender.

3. Serviços de edição – Apesar do meu diploma em Língua Inglesa, ainda preciso de outras pessoas para editar o meu trabalho. Não há nada melhor do que aproveitar os olhos de outra pessoa para encontrar os seus erros, descobrir quando os seus queridos personagens precisam tomar um chá de sumiço ou se um diálogo simplesmente não se sustenta. Eu cobro US$ 1 por página (o que está barato), mas encontre alguém em quem você confia e faça o possível para pagá-lo pelos seus serviços, mesmo que seja um colega que se contentaria em editar somente em troca de um jantar.

4. Números ISBN – Um dos seus melhores investimentos como escritor, talvez ficando somente atrás do pagamento feito a um editor, é colocar o seu dinheiro suado em um conjunto de números ISBN. Recentemente, eu comprei 10 e paguei o preço salgado de US$ 250. Mas vale a pena para você poder listar o seu livro no seu próprio nome se você for um escritor independente. Você até pode usar o ISBN gratuito que é emitido pelo CreateSpace (falaremos mais sobre o assunto logo abaixo), mas aí o seu romance será publicado sob o nome da Amazon em vez do seu. É muito legal ser editor, além de autor, e encontrar seu nome em ambas as categorias ao fazer uma busca online. Existe um site de dados bibliográficos, o Bowker, que pede para você enviar uma cópia do seu livro em PDF para ficar disponível nos motores de busca e outros lugares usados para pesquisa. Você só vai precisar de dois números ISBN para cada romance que escrever (já explico em um minutinho) então um pacote de 10 números dura um bom tempo (a não ser que você seja um Isaac Asimov). E, por favor, pague os US$ 35 para registrar seus direitos autorais com o governo. Vale a pena.

5. CreateSpace – Adoro a máquina de auto-publicação da Amazon. Publiquei um tutorial [em inglês] sobre como usar o Scrivener para criar um livro no CreateSpace. É uma maneira fácil e barata de produzir uma versão impressa do seu livro, mas existem alguns macetes para aproveitar ao máximo o seu tempo e dinheiro, além de algumas coisas que devem ser evitadas. Uma coisa que é importante ter em mente é que (se é que você não sabe) os livros do CreateSpace não podem ser devolvidos, então você precisa comprar as cópias do seu próprio livro e encontrar livrarias que estejam dispostas a vendê-las por uma comissão. Esse método exige que você saia batendo perna por aí, mas compensa para que o mundo saiba sobre a existência do seu livro. Você compra cópias do seu próprio livro com desconto e pode vendê-las pelo preço de capa em congressos ou fazer noite de autógrafos e então usar esse dinheiro para continuar comprando mais cópias de autor.

6. Edições digitais – Escrevi vários tutoriais [em inglês] sobre como usar o Scrivener para criar versões do seu livro para Kindle, Nook e iBooks, mas ultimamente tenho adotado uma abordagem mais minimalista. O site Smashwords converte um arquivo de texto com o seu romance em uma "Edição Smashwords", oferecendo-a em todos os formatos mencionados acima (além de alguns outros) e tudo pelo mesmo preço de venda. Recomendo que você leia o guia de estilo oferecido pelo Smashwords na forma de livro digital gratuito. Leia o manual de cabo a rabo e faça tudo direitinho. As instruções são bem simples e livrarão você de muitas dores de cabeça com formatação. Depois que a cópia do CreateSpace for publicada, envie uma versão eletrônica para o serviço de publicação da Kindle, porque sempre é bom ter um link digital para o seu romance. Lembre-se de colocar também um link para todas as versões do Smashwords no seu website, de maneira bem centralizada, deixando tudo em um mesmo lugar.

7. Blog – Não sei como enfatizar ainda mais a importância de um blog para um escritor. Eu conheci vários colegas escritores, editores, artistas e agentes pelo meu blog. Recebi conselhos de gente muito entendida no assunto e que está nesse jogo da auto-publicação. Consegui dar voz às minhas frustrações, saber da opinião dos outros, receber projetos de edição, descobrir maneiras novas e interessantes de chegar até o público para promover os meus livros e ter várias ideias para escrever. Mesmo que não fosse por tudo isso, o blog me permite dar uma energizada para eu continuar escrevendo, o que também me mantém um escritor honesto. Eu tenho atualizado o meu blog durante mais tempo do que eu dediquei a qualquer outro projeto que comecei e nunca terminei. Sempre fico ansioso para escrever os artigos e espero que tenha ajudado alguém durante nesse meio tempo. Não se esqueça também de deixar comentários em outros blogs e promovê-los. Eu até que não faço isso tanto quanto deveria, então preciso encontrar mais tempo para fazê-lo.

8. Capa – Faça pesquisas sobre o assunto. Existem milhares de capas por aí que são simplesmente horríveis e a diferença está em contratar um designer profissional ou passar horas e horas pesquisando como fazer a capa do seu livro saltar aos olhos do leitor. Dizem que não se pode julgar o conteúdo de um livro pela capa, mas no jogo dos livros digitais a capa determina sim se alguém vai comprar o seu livro ou apertar o botão "Voltar" e abandonar a página. Eu consulto o arquivo de capas The Book Cover Archive e as 50 capas escolhidas pelo Design Observer todo ano. Vale a pena dar uma olhada neles. Pergunte para si mesmo porque essas capas são tão boas e leia matérias sobre design. Na dúvida, contrate um profissional.

9. Redes sociais – Eu tenho conta no Twitter, Facebook, Pinterest, GoodReads, Google+ e LinkedIn. Permaneço conectado com várias pessoas do ramo dessa maneira e às vezes até uso para fazer publicidade. Entretanto, o mais importante que você precisa fazer nas redes sociais não é propaganda. Você tem que envolver o público. No momento, eu passo mais tempo nas redes sociais do que escrevendo para o meu blog ou comentando nos blogs dos outros, então preciso equilibrar melhor as coisas. Dar aula em tempo integral e ser pai de quatro filhos faz o tempo voar (se é que a metáfora cabe aqui)... Ah, lembre-se também de colocar um link para o seu blog em todos os seus perfis.

10. Continue escrevendo – Esta é a última dica e, provavelmente, a mais importante. Nas últimas semanas, pensei muito em pendurar as chuteiras e deve ser por isso que eu não escrevi para o blog tanto quanto eu gostaria. Meu sonho sempre foi ser um romancista recorde em vendas, mas talvez esse sonho nunca vire realidade (e eu já não sou mais novinho...) Não tenho ilusão alguma quanto ao mercado editorial e se tem alguma coisa que esses últimos 18 meses me ensinaram é que meu sonho é bem parecido com o sonho de alguém que quer ganhar na loteria. Mas por que tem gente que continua comprando bilhete de loteria? É porque acha que vai chegar o seu dia de sorte, não é? Sei que sorte não é algo tangível, mas continuo insistindo. Não sei explicar o motivo, mas eu adoro escrever e, mesmo que somente duas ou três pessoas leiam os meus livros e gostem do que leram, o meu trabalho já estará cumprido. Sou fã das minhas próprias histórias, o que eu acho que é sempre necessário. Então continuo escrevendo, publicando e seguindo em frente. Um dia as peças se encaixam, certo?


ROGER COLBY é um escritor independente, que publicou os livros "This Broken Earth", "The Transgression Box" e "Notes from the NICU: Overcoming Catastrophic Trial", além do conto "Old Freck's Place." Roger também é professor de Língua Inglesa e tem quatro filhos. Quando não está escrevendo um romance, dando aulas, brincando com os filhos ou fazendo-se de romântico para a esposa, ele atualiza o blog WritingIsHardWork.com.