Programas de apoio à tradução da FBN

Inaugurando a coluna BOAS NOVAS, em que convido colegas a contribuir com o Notícias Literárias, publico hoje o texto de PABLO CARDELLINO SOTO sobre iniciativas do governo brasileiro para impulsionar a literatura nacional em todo o mundo.


Programa de Apoio à Tradução da FBN

No dia 19 de novembro de 2012, Carolina Selvatici esteve presente na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para falar sobre os programas de apoio à tradução da Fundação Biblioteca Nacional (FBN).

Carolina é bacharel em Comunicação Social, formada em Jornalismo pela UFRJ, e mestre em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). É tradutora desde 2006 e hoje presta serviço para as editoras Bertrand e Tinta Negra Bazar Editorial e para as produtoras Dispositiva e Télétota. Desde setembro de 2012 é responsável pelo Programa de Residência de Tradutores Estrangeiros no Brasilda FBN.

Clique aqui para ver os slides da palestra

Carolina começou mencionando que tem programas de apoio à tradução em quase todos os países europeus e alguns asiáticos e latino-americanos, e após alguns outros detalhes a respeito descreveu os programas brasileiros, que:

  • são geridos pela FBN
  • têm caráter permanente
  • contam com plano orçamentário até 2020
  • oferecem bolsas de até US$ 8.000, num fluxo contínuo, nas áreas de literatura e humanidades. 

As editoras interessadas devem entrar em contato com a FBN e apresentar a proposta, incluindo o contrato com o tradutor e a documentação referente aos direitos de tradução, se a obra não estiver em domínio público.

Para gerir o programa foi criado, dentro da FBN, o Centro Internacional do Livro (CIL), onde a Carolina trabalha.

Além desse programa, outros editais da FBN incluem:

  • Programa de intercâmbio para autores brasileiros: Leva autores para o exterior para divulgação do seu trabalho. As bolsas são de até US$ 3.000 e o autor pode ficar fora até um mês.
  • Apoio à publicação de autores brasileiros: Os textos originais são publicados pela Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e, portanto, não envolve tradução.
  • Revista Machado de Assis: Publicação trimestral com traduções de autores brasileiros para o inglês e o espanhol. Para publicar a tradução, é necessária a cessão dos direitos de publicação da tradução para a revista, tanto pelo autor quanto pelo tradutor.
  • Programa de residência de tradutores estrangeiros no Brasil: Até R$ 15.000 de bolsa para os tradutores passarem até cinco semanas no Brasil e terem uma experiência de imersão no contexto linguístico e social brasileiro.
  • Colégio de Tradutores: Local onde os tradutores poderão trabalhar juntos. Está em fase de desenvolvimento do projeto e suas características estão sendo formatadas. Porém, a título informativo, algumas das características de vários colégios semelhantes em outros países incluem que o tradutor:
  • - tenha um contrato de tradução assinado
  • - possa ficar de dois a três meses no local
  • - sejam estrangeiros ou cidadãos

Finalizando, Carolina explicou que não existirá necessariamente bolsa dentro do Colégio de Tradutores e que, nesta fase, existe um formulário disponível para todos os interessados manifestarem sua opinião sobre quais deviam ser as características do futuro colégio.


PABLO CARDELLINO SOTO é tradutor profissional e pesquisador de literatura traduzida, com ênfase em literatura fantástica. É formado em Letras e Literaturas de Língua Espanhola pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e tem mestrado em Estudos da Tradução pela mesma instituição. Uruguaio, traduz para o espanhol e para o português. Traduziu Dom Casmurro e O alienista de Machado de Assis. Em colaboração com Walter Carlos Costa, traduziu O colóquio dos cães, de Miguel de Cervantes, e As Hortensias, de Felisberto Hernández.