Amazon.com.br e as editoras brasileiras que agora estão cientes do mundo digital

Há poucas semanas, logo depois de a Amazon lançar sua loja Kindle no Brasil, fiquei chateada ao perceber que as portas não estavam abertas para mim. Sou brasileira, mas vivo na Califórnia, então pouco importaria se eu quisesse ler livros no meu próprio idioma: enquanto esses títulos estivessem disponíveis somente no Amazon.com.br, eu não teria acesso a eles porque o "passaporte" do meu Kindle diz que o aparelho está registrado como residente nos EUA.

Ou seja, eu teria que mudar o endereço atual do meu leitor no Amazon.com a fim de ter permissão para comprar livros no Amazon.com.br. Então, se eu quisesse comprar livros que só estão à venda na loja dos EUA, eu teria que "atualizar o passaporte" novamente. Ao que tudo indica, as leis da física também se aplicam a um aparelho cujo objetivo é ler livros digitais: o Kindle não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Fiquei de olho na questão para ver se algo mudaria nas próximas semanas. Talvez era só um contratempo técnico e, depois de a loja Kindle brasileira começar a funcionar melhor, mais livros em português chegariam à loja principal e as restrições territoriais deixariam de existir.

Bom, tenho o prazer de dizer que sim, a quantidade de livros em português disponíveis na Amazon.com está crescendo exponencialmente graças à criação da loja Kindle no Brasil. Ainda existem restrições, mas a melhora é bem-vinda.

Por exemplo, alguém na minha situação (lê em português, mas está fisicamente fora do território brasileiro) agora pode ler a "Trilogia Cinquenta tons de cinza", tradução em português de Fifty Shades of Gray Trilogy. Eu passo, já que não é o estilo literário de que eu gosto, mas esse é um bom exemplo de best-seller que agora está realmente disponível aos leitores daquele idioma em todo o mundo, independentemente da sua localização geográfica.

Afinal, não é essa a melhor parte de se trabalhar com livros digitais que não exigem a impressão, a remessa e o frete da versão em papel?

Para satisfazer meu prazer pela leitura, já marquei títulos como "O lado bom da vida", tradução de Silver Linings Playbook, escrito por Matthew Quick e que logo chegará aos cinemas, além de T. zombii - Gravação dos Mortos, escrito originalmente em português por Fábio Yabu, brasileiro que escreve e cria desenhos animados principalmente para crianças, sob o pseudônimo Abu Fobiya, que reserva para seu material mais sangrento.

Tirando isso, recentemente eu passei também pelo processo editorial (mais novidades a respeito nos próximos dias) e tive a oportunidade de dar uma olhadinha nos bastidores. Como mencionei no outro texto que escrevi a respeito, as editoras têm o poder de publicar seus livros em todo o mundo ou restringi-los a um território em particular. Aqui vão duas capturas de tela que mostram exatamente isso (clique nas imagens para ampliá-las):

Parabéns então para a Amazon, por ter criado uma plataforma que realmente serve de meio de democratização de acesso. Parabéns também às editoras brasileiras que agora estão cientes do processo e tornando seus livros disponíveis em todo o mundo, sejam eles originais em português ou a tradução de best-sellers.

Vamos esperar então que todas as editoras compreendam o processo e deixem de impor restrições geográficas aos seus títulos, tirando proveito assim do objetivo real dos livros digitais: a disponibilidade plena.