Livros eletrônicos tornam possível tradução literária independente

Aqui está uma cópia, na íntegra, do texto que publiquei como colaboradora do site Kindle Blog Brasil

Meu nome é Rafa Lombardino e, além de ser uma das mais novas colaboradoras do Kindle Blog Brasil (com muito orgulho), sou também tradutora e diretora da agência de tradução Word Awareness, que abri na Califórnia. Comecei cedo na profissão, aos 17 anos, e meu grande sonho era traduzir livros e participar do processo editorial e literário cujo principal objetivo é levar grandes histórias internacionais para o público brasileiro.
É, quase 15 anos mais tarde, a maioria do meu trabalho tem sido bastante técnico, incluindo traduções voltadas para a comunicação corporativa e jurídica ou sobre as indústrias química, alimentícia e de produtos de saúde e beleza. Porém, nunca coloquei de lado a vontade de deixar a criatividade de escritores estrangeiros passar pelos meus dedos e se transformar em palavras em português.
Em dezembro de 2010 recebi um Kindle de presente do meu marido. A princípio, precisava ler uns livros sobre Marketing Online para bolar uma palestra para tradutores independentes poderem divulgar seus serviços na internet para chamar a atenção de possíveis clientes. Não queria pagar mais de US$ 25 por exemplar e levar aqueles dois tijolos no avião para ler durante as férias... Depois do dever cumprido, percebi que "me deu um branco" e não conseguia me lembrar de nenhum título da longa lista de clássicos que eu queria ler há muito tempo. Por onde começar? Que livro eu poderia comprar para ler no meu Kindle?
Estava dando uma fuçada no Amazon quando, coincidentemente, ouvi uma história interessante no podcast de tecnologia que o meu marido estava ouvindo. Os apresentadores estavam falando sobre Amanda Hocking, uma jovem de vinte e poucos anos que estava bombando na área de literatura independente juvenil por causa de seus livros eletrônicos, cujos preços são bastante acessíveis. Ela se especializou em ficções supernaturais interessantes e conquistou rapidamente o público jovem. Na hora, eu decidi dar uma olhada para saber mais a respeito e dei de cara com a versão Kindle do livro Hollowland, que narra a história de uma jovem em busca do seu irmão mais novo em meio ao mundo pós-apocalíptico tomado por zumbis.
Eu me apaixonei pela história e me toquei que um livro não precisa estar na lista dos mais vendidos de publicações importantes (como o New York Times, por exemplo) para valer muito a pena. Confesso que há tempos não lia um livro pelo puro prazer de ler, algo que sempre fiz desde criança. Já leio uma pilha de documentos todos os dias e, no tempo livre, eu ultimamente estava mesmo preferindo fazer alguma outra coisa para espairecer. Ossos do ofício...
Foi assim que, no início de 2011, comecei a dar os primeiros passos para dar uma guinada na minha carreira e finalmente trabalhar com um tipo de material que há muito tempo despertou meu interesse pela tradução: a literatura. Com os avanços em livros eletrônicos e a atividade intensa e bem-sucedida de escritores publicados independentemente, celebrei alguns contratos para a tradução de livros a fim de dedicar cada vez mais tempo à tradução literária.

O primeiro livro traduzido já foi publicado e se chama Um zumbi na noite. Ele foi escrito por Tom Lichtenberg, que já conta com mais de 30 títulos eletrônicos na sua obra, e combinamos de disponibilizar o seu catálogo completo em português ao longo dos próximos anos. No momento estou prestes a terminar a tradução de “O mistério da Mansão Valência”, da escritora Sharon Hays. Mais 70 páginas e o livro estará disponível para os leitores brasileiros que gostam de uma bela história de casas mal assombradas.

É claro que me faz um bem enorme começar a realizar um sonho de criança e me dedicar à tradução literária, mas faz muito bem também saber que estou fazendo a minha parte e usando os avanços tecnológicos a favor de uma ótima causa: difundir histórias interessantes para um público cada vez maior, que pelos meios tradicionais dificilmente teria acesso ao trabalho de gente tão criativa como o pessoal que faz parte da nova leva de escritores independentes e que contam com o Kindle como sua principal ferramenta de expressão.