Quer virar tradutor literário? "Corre atrás!" Carsten Peters diz

Encerrando a minha série sobre as apresentações de Tradução Literária da 52ª Conferência Anual da ATA, realizada em Boston, vamos dar uma olhada em como criar uma proposta de tradução com substância.

Durante a 52ª Conferência Anual organizada entre 26 e 29 de outubro de 2011 pela 

Associação Americana de Tradutores

 (ATA) em Boston, assisti à palestra de uma hora intitulada

Programas para a promoção de traduções

, apresentada por 

Carsten Peters

, tradutor e proprietário da 

Ceditora

, que incentivou os tradutores a "correrem atrás” se quiserem entrar para o mundo das traduções literárias.

"De acordo com o antigo modelo, os tradutores eram um personagem secundário, alguém que faz o trabalho", ele explica. "As editoras pediam para você esperar que elas entrassem em contato. Mas se você quiser inovar, aprenda como as editoras funcionam e apresente um projeto concreto."

Dando mais detalhes sobre traduções literárias, Peters acredita que o papel do agente literário está desaparecendo. Antigamente, eles eram os intermediários, dando uma de "olheiros" para encontrar livros que vendiam bem no mercado nacional e então propor o projeto de tradução para uma editora no mercado estrangeiro.

"Os agentes literários não agregam valor ao processo", ele garante, mencionando que os agentes podem até representar uma obstrução ao processo quando o assunto é o idioma. Peters lida principalmente com português e alemão e se um agente literário não fala nem uma língua e nem a outra, só inglês por exemplo, ele prefere trabalhar diretamente com o tradutor, que é bilíngue e naturalmente predisposto a mediar o processo de comunicação.

Outro motivo para os tradutores tomarem a iniciativa, segundo Peters, é o fato de as editoras preferirem trabalhar com escritores nacionais ao invés de investir em um projeto de tradução. "Será que eu deveria entrar em contato com um tradutor para trazer um título internacional para o meu país ou seria melhor entrar em contato com alguém que já é reconhecido no mercado nacional?" ele indaga. Os riscos são maiores para as editoras que optam pelo primeiro método, já que precisam pagar tanto pelo trabalho do tradutor, como pelos direitos autorais do escritor, independentemente de o livro se tornar um sucesso de vendas no mercado-alvo.

Fique por dentro das bolsas ― O palestrante também sugeriu que os tradutores estudem o material disponível na internet sobre programas de bolsas oferecidas por governos diferentes para promover a literatura nacional internacionalmente. Ele explica que o dinheiro é entregue diretamente para o tradutor, mas é necessário ter uma editora tanto no país de partida como no de chegada para o projeto entrar na lista de candidatos.

"Entre em contato com as pessoas certas. Não mande um e-mail. Pegue o telefone e converse com alguém. Aborde primeiro o autor, porque ele tem contato direto com a editora. Não tente vender o seu peixe, basta mencionar o quanto você admira o trabalho dele e que está interessado na possibilidade de trabalharem juntos. Depois, entre em contato com a editora no outro país e dê mais informações sobre a bolsa e o escritor", ele sugere.

Do ponto de vista do editor, Peters afirma que essa é "uma situação em que todos sairão ganhando", porque o tradutor terá um projeto concreto e com meio caminho andado. "A editora não precisa fazer nada, só assinar o contrato."