"A profissão de tradutor é conhecida principalmente pela tradução literária", Attila Piróth afirma

Continuando a minha série sobre as apresentações de Tradução Literária da 52ª Conferência Anual da ATA, realizada em Boston, aqui estão algumas dicas que aspirantes a tradutor literário podem seguir para entrar no ramo.

Durante a 52ª Conferência Anual organizada entre 26 e 29 de outubro de 2011 pela Associação Americana de Tradutores (ATA) em Boston, assisti à palestra de uma hora intitulada Traduzindo para Editoras, apresentada por Attila Piróth, tradutor técnico certificado pela ATA em inglês para húngaro e com PhD da Universidade Eötvös de Budapeste. Ele também é o chefe do braço da Associação Internacional de Tradutores e Intérpretes Profissionais (IAPTI) no leste europeu.

Piróth abriu a sessão refletindo sobre como a profissão de tradutor é conhecida pelo público principalmente por meio da tradução literária. No entanto, os tradutores literários não recebem o devido reconhecimento e nem uma boa remuneração dentro do modelo editorial de hoje em dia. "Tem uma tradutora dos livros do Gabriel García Marquez que não paga imposto porque a renda dela é tão pequena", ele observou.

Citando o estudo Comparação da Renda dos Tradutores Literários na Europa, organizado pelo Conselho Europeu das Associações de Tradutores Literários (CEATL), que mostrou a grande insatisfação dos profissionais com o mercado atual, o palestrante disse que ainda há muito o que melhorar nesse ramo dos serviços de tradução.

“Os distribuidores de livros têm uma margem de lucro excessiva quando comparados à maioria das indústrias", Piróth comentou, estimando que somente 8% do orçamento de um projeto editorial vai na verdade para o tradutor. "Quando o assunto é tradução técnica, você precisa da tradução de um manual antes de vender um produto no mercado estrangeiro. No caso das traduções literárias, o que você vai vender é o próprio texto", explica, destacando o status do livros traduzidos como um produto final, em vez de um acessório do pacote completo.

Como competir ― E se a má remuneração não fosse o bastante, a competição também é bastante injusta nessa área. "Professores universitários e pesquisadores acadêmicos possuem um emprego de tempo integral e recebem um salário. Para eles, publicar um livro é considerado parte do cargo de professor", afirma. "Eles não enfrentam as mesmas pressões às quais um tradutor está submetido ao se tratar de preços, então a tradução literária torna-se um passatempo para eles. Além disso, há muita gente por aí preparada para trabalhar por quase nada e até há quem diga que se contenta apenas em ver seu trabalho publicado porque isso já é uma honra."

Ele convidou os presentes a considerar quem tem a responsabilidade de melhorar a situação coletiva e deu algumas dicas sobre como negociar com as editoras. "Tradução é um trabalho de autoria original, então coloque direitos autorais na negociação, assim como os que são pagos aos escritores", sugeriu, dizendo que isso seria bastante viável a partir de uma 2ª impressão se a 1ª edição teve sucesso.

Outra ideia é buscar bolsas, que geralmente são concedidas por governos a traduções do idioma nacional para uma língua estrangeira com o objetivo de promover a literatura daquele país no resto do mundo. Há também a opção de traduzir livros clássicos que já caíram no domínio público, o que geralmente entra em vigor 70 anos após a morte do escritor.

Tomando as rédeas ― De maneira semelhante, livros protegidos por "copyleft" representam uma rica fonte de material para tradutores literários. Esse modelo, também conhecido pelo símbolo  ↄ⃝ , é uma jogada com a palavra "copyright" e descreve o uso da lei dos direitos autorais para garantir o direito de distribuir cópias e versões modificadas de um trabalho original, exigindo ao mesmo tempo que tais direitos sejam preservados nas versões modificadas. 

Em outras palavras, se um escritor oferece seu livro gratuitamente pela internet por meio do copyleft ou da Licença Creative Commons, os tradutores têm o direito de traduzir o material e distribuir suas traduções, contanto que suas versões sejam distribuídas de graça e dentro dos mesmos parâmetros do original.

"A tradução literária é um assunto que está em alta hoje em dia", Piróth lembra. "Mas existe um conflito de interesses entre as editoras e os tradutores e os tradutores literários não estão recebendo muito reconhecimento. Porém, podemos mudar essa situação com uma Iniciativa Literária Justa."